quinta-feira, 12 de novembro de 2009

reler é preciso

Havia esquecido a sensação de como era andar nas ruas de São Petersburgo, no século XIX. Tantos anos depois e tornei a visitar aquelas páginas. Reli Crime e Castigo, pela terceira vez. Reler um livro é a melhor forma de me reler, me conhecer e reconhecer, saber o que mudei desde a última leitura. A intensidade da leitura é a mesma das outras vezes, mas desta achei o livro mais impactante, mais intenso na forma crua como são descritas as misérias humanas. A história é conhecida, um rapaz do interior, que vive na capital para estudar, mas largou a universidade por questões financeiras, é acometido por uma "monomania", em que acredita que aos homens extraordinários é lícito cometer homicídio em prol de um bem maior para outras pessoas. Raskólnikov acredita que é um desses grandes, e por isso "experimenta" o homicídio, matando a machadadas uma velhinha usurária e avarenta, de quebra mata a irmã dela, porque apareceu na hora errada, e sem matá-la não conseguiria sair da cena do crime. Depois ele se dá conta que não é um homem extraordinário, que é um piolho e seu crime foi vulgar, entram em cena diversas personagens, todas marcadas pela miséria da condição humana, algumas virtuosas mas já sujas por toda a lama que as cerca. A mais importante das personagens é Sónia, uma moça dotada de um coração puro e dócil, que foi levada à prostituição por sua madrasta para sustentar a família, pois seu pai é alcoólatra. Ela será a redenção de R., é quem sugere que ele se entregue à polícia e pague pelo seu crime. Sua pena é passar oito anos na Sibéria cumprindo trabalhos forçados, e Sónia o acompanha, está sempre por perto e manda notícias à família de R., até que finalmente eles se "conectam", na frase mais bela do livro: "O amor os ressuscitara, o coração de um continha fontes infinitas de vida para o coração do outro". Ambos queriam viver, e os sete anos restantes devem ter passado rápido. É daqueles livros que quando chego na última página, tenho vontade de imediatamente voltar à primeira linha novamente, mas sei que sempre é necessário um tempo para digerir a história, antes de visitá-la mais uma vez.

"E por que o meu ato lhes parece tão vil? -- dizia de si para si. -- Por ter sido uma perversidade? O que quer dizer a palavra 'perversidade'? Minha consciência está tranqüila. É claro que foi cometido um crime comum; é claro que foi violada a letra da lei e derramado sangue, mas tome a minha cabeça por letra da lei... e basta! Claro, neste caso até muitos benfeitores da humanidade, que não herdaram mas tomaram o poder, deveriam ser executados ao darem seus primeiros passos. No entanto, aqueles homens agüentaram os seus passos e por isso estavam certos, mas eu não agüentei e, portanto, não tinha o direito de me permitir esse passo."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

películas

Finalmente pude voltar a freqüentar cinemas, nos últimos meses nada me agradava. Comecei pelo sul-africano Distrito 9, um filme improvável, e certamente um dos roteiros mais originais dos últimos tempos (por falar em - falta de - originalidade, a maior prova disso é a enxurrada de adaptações literárias para estrear, sou meio conservadora nisso, acho que são duas linguagens que raramente se combinam). O tema é a invasão alienígena, mas ao contrário dos outros ET's malvados, estes são fracos, doentes e não têm líderes, não escolheram nenhuma cidade importante para pousar a nave. São levados a viver em acampamentos, que logo se transformam em favelas, são vítimas de todos os abusos e das gangues violentas. Os aliens são chamados pejorativamente de camarões, passam 20 anos acampados em Johansburgo, até que o órgão responsável decide envia-los para outro local, mais afastado da cidade, e aqui há uma metáfora direta sobre o apartheid. Boa parte do filme é filmada como se fosse The Office (sem a levada cômica, claro), naquele esquema de documentário "sem cortes", aliás, o crítico da Folha foi bem feliz na comparação, dizendo que Distrito 9 é uma mistura de Cidade de Deus, Alien e The Office, é bem por aí. No mais é um filme tenso, violento sem ser clichê, e todas as perguntas certas ficam sem resposta.
Aí tive vontade de ver "Coco Antes de Chanel", confesso que me senti influenciada pela crítica, dizendo que era fraco, uma tentativa de suavizar a imagem da Coco, pois o filme escondia muitos podres da vida dela, como a colaboração com os nazistas, então desisti de assistir. E por falar em nazistas, me rendi às massas e fui ver "Bastardos Inglórios". Péssima decisão. Já tinha lido muita coisa sobre o filme, desde a crítica especializada até de gente que não é especializada em nada, mas adora das pitaco em tudo (tipo, eu!). Bom, pra começar, nunca tive paciência com qualquer filme do Tarantino, não passava de dez minutos, sempre achava meio bobo, por que Bastardos seria diferente? Não sei, mas foi idéia minha ir ao cinema. Concordo que os filmes do Tarantino têm essa queda para o pastelão, mas a história desse era muito bobinha, infantil. Os nazistas são maus e bobalhões, os americanos são legais e resolveram a guerra, blábláblá. Acho que todo mundo já deveria ter amadurecido um pouco e ter dado um passo à frente da história oficial. Não, né? Eu sabia. Achei que o filme era uma mistura de Zorra Total com o extinto Cidade Alerta, o Brad Pitt é tão ruim que nem papel de canastrão ele consegue fazer direito, deveriam ter chamado o Dado Dolabella. Enfim, foram 2h30 muito longas, e de agora em diante tenho a total confirmação para passar longe de qualquer filme do Tarantino, porque, definitivamente, não faz meu tipo...
* Para não dizer que não gostei de absolutamente nada, adorei a música do Bowie (Cat People), que toca enquanto a mocinha se arruma para a grande noite.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

mythbuster?


Nem lembro mais quando li este livro, e escrevi o resumo. Ultimamente leio mais que o habitual, e muito menos do que gostaria. Às vezes penso que perco muito tempo na frente do computador, tempo que seria melhor empregado na leitura dos livros que aguardam na fila; mas quando encontro uma obra há muito esgotada na versão impressa, com exemplares nos sebos beirando os três dígitos no preço, e disponível na rede, decido que estou parcialmente perdoada. Ouvi falar do livro algumas vezes, no entanto, sempre deixava para comprar ou procurar depois. Depois do quê não sei. Maternidade é um assunto complicado, um monte de mitos e dogmas em cima, dá aquela falsa idéia de que as coisas sempre foram assim, mas sempre duvidei das palavras das mães que falam que a maternidade é a coisa mais maravilhosa da vida, acho um tanto exagerado para ser verdade, e todo mundo sabe como podem ser tensas e conflituosas as relações entre pais e filhos, no fim, acaba sendo hipocrisia dizer que o afeto não fica abalado diante de tantos conflitos. O livro chama-se "Um Amor Conquistado - O Mito do Amor Materno". A autora? Elisabeth Badinter, seu livro é fruto de muitas conferências que ela fez no final dos 70. O recorte? História das mulheres francesas especialmente do século XVIII, vistas sob a ótica da maternidade, e de como este conceito se moveu ao longo da história francesa, e de quebra, da história ocidental também.

O livro discute essencialmente a existência do "instinto" materno, e a evolução do conceito de maternidade ao longo do século XVIII até o XX. O "instinto" seria algo comum e universal a todas as mulheres, igualmente distribuído no tempo e no espaço da história humana; o que não se verifica no caso do instinto materno, como demonstra a autora, que refaz o percurso das práticas de criação das crianças nos últimos séculos, organização familiar, papéis de mulheres/homens, visões filosófica e teológica da criança e da mulher. Badinter se volta para as visões de Aristóteles, que acreditava que o homem tem toda autoridade sobre seus filhos, escravos e mulheres, pois o homem era mais próximo do divino, e os demais são incapazes. Na teologia cristã, a total submissão da mulher é logo anunciada no Gênesis, mais que submissa, a mulher é fonte de todo o mal para o homem; por sua culpa ele foi expulso do paraíso. No absolutismo político francês, há a analogia entre as figuras do Rei, deus, pastor e pai, pois todos exercem autoridade sobre os seres mais fracos - e inferiores.
Nesse imbróglio todo, a existência do amor não era encorajada para a concretização do casamento, ao contrário, para a Igreja só era lícito fazer sexo sem prazer; e mais importante para a realização de um matrimônio era o pagamento do dote (pais abastados garantiam o dote das filhas às expensas da herança não herdada pelo primogênito, que por sua vez caçava seu próprio dote, já as moças menos favorecidas precisavam trabalhar para pagar seu dote, e encontrar um homem que "valesse" o quanto elas tinham para pagar), obviamente, neste contrato comercial, não havia muito espaço para o amor, de forma que não era pré-requisito para o casamento. Nesta organização do matrimônio, logo virão os filhos, que serão concebidos e gerados neste clima. Para entender isso, são visitadas teorias sobre a infância correntes na época. No século XVII, com idéias vindas de santo Agostinho, há o "pecado da infância", pois toda criança é inescapavelmente fruto do sexo, do pecado original, é um ser negativo e corrompido pela sua natureza, e somente uma educação repressiva pode eliminar seus traços negativos; a recomendação para os pais é tratarem seus filhos com frieza, pois a ternura é traduzida como frouxidão, que conduz ao pecado. Descartes também considera a infância como fraqueza de espírito, pois todo o entendimento do mundo infantil está sob a dependência do corpo.
Com estas idéias e recomendações, no século XVII a prática corrente dos pais era deixar seus filhos com amas-de-leite (como sempre acontece, a moda é lançada pelas elites e imitadas por todos os estratos subseqüentes), entre as mulheres pobres, deixar seu filhos com as amas mercenárias é crucial para a sobrevivência delas; já entre as mulheres abastadas, da nobreza e grande burguesia, não há este impedimento econômico, a contratação de amas-de-leite (a criança recém-nascida é entregue para estas amas, horas depois do nascimento, e levadas para o campo, de onde só retornam 6 anos depois, isto é, se conseguem sobreviver, pois a mortalidade infantil é extremamente alta, a maioria das mães não se interessa pelos filhos, sequer comparecem ao velório deles, em alguns casos são claramente abandonadas, e aqueles que conseguem sobreviver, vão para a casa dos pais em péssimas condições de saúde) é vista do Badinter somente como um meio de se livrar dos filhos, da enfadonha tarefa de cuidar de crianças quando têm coisas mais agradáveis para fazer, pois a criança é um ser sem nenhuma importância para a sociedade, para a vida pessoal dessas mulheres, que por sua vez, são tachadas por Badinter como egoístas, desinteressadas e indiferentes à vida ou morte de seus filhos. Com a organização familiar moldada nestas condições, parece improvável falar de amor materno instintivo universal. Como dito anteriormente, o papel das amas termina por volta de 6 anos, e na casa dos pais abastados, logo a criança recebe o cuidado de um preceptor (observadores da época criticam os pais que escolhem com mais cuidado as pessoas que irão adestrar seus cavalos e cães do caça, do que o preceptor de seus filhos), que se ocupará dos rudimentos de educação e manterá os pais longe do convívio com seus desagradáveis filhos. Quando as crianças chegam aos 10 anos, os pais lançam mão de outro artifício para se livrar dos filhos, e os mandam para internatos, e no caso das meninas, o convento, de onde só saem de lá casadas.
Este estado de coisas começa a mudar por volta de 1760, quando se começa a desenhar a ideologia (aqui no sentido forte) do amor materno, com promessas iluministas de felicidade às mulheres que assumirem o papel materno, a fim de diminuir os índices de mortalidade. Esta ideologia está assentada em postulados econômico (a população gera riquezas e garante o poderio militar do Estado) e filosófico-iluminista, em que a busca primeira do ser humano é a felicidade. É na microssociedade que é a família onde se espera encontrar a felicidade, e começa a era do casamento por amor, a liberdade de escolha do cônjuge valia para ambos. Nesta vidinha marital feliz, seu ponto culminante só pode ser a procriação, pois a prole será tão amada quanto o casal se ama mutuamente. Badinter considera todo esse processo no século XVIII como um movimento para convencer as mulheres a se ocuparem pessoalmente dos seus filhos. Se as promessas de felicidade não são suficientes, os homens malvados idealizadores de toda essa patacoada, lançam mão de ameaças (o que prova mais uma vez que o amor materno é só mais uma lorota) para mães que se recusam a ocupar este novo papel, principalmente no que concerne ao aleitamento materno, pois as mulheres que se recusam a amamentar seus rebentos sofrerão revoltas e punições de deus e da natureza. A boa mãe é logo identificada com a santa mulher, elas são induzidas a acreditar que a maternidade é extremamente gratificante. Como já sabemos, o amor materno não tem nada de natural, e muitas mulheres recusam a acatar esta nova ordem social, e por isso são mal vistas, outras se tornam mães sem desejar, para evitar aborrecimentos com cobranças. Logo, os critérios de boa mãe se afrouxam para a coabitação: mães que não se interessavam pessoalmente por seus filhos, mas os conservavam em suas casas, sob cuidados de babás e amas-de-leite ainda são consideradas boas mães. Mas os critérios logo mudam, no século XIX exigia-se das mães sacrifícios, a lista de deveres só aumentava, a mãe deveria amamentar e também cuidar da educação moral das crianças, pois a mulher é uma "professora nata", a instrução feminina passou a ser vista como necessária (depois de séculos de negação do saber às mulheres) para o bem-estar moral da prole.
Nesta simbiose entre mãe-filho, a figura paterna sofre um recuo, o pai simbólico, detentor de autoridade e da Lei, é mais importante que o pai real, aliás, este não devia se interpor na relação sagrada de mãe-filho. Até chegarmos a noção-século XX do pai provedor e ausente pelo próprio ritmo de vida para garantir a subsistência material da família; passando pelo "patriarcado de Estado", mais presente nas classes baixas, onde o Estado, guarnecido pela lei, poderia punir pais que maltratavam crianças, e pela escola, que fornecia educação moral. Também no século XX a teoria freudiana só veio a complicar a vida da mulher-mãe, que como já não bastassem todos os encargos da maternidade, também era responsável pelo inconsciente dos seus filhos, e eventualmente culpada caso as coisas dessem errado. A mãe era tida como causa imediata de qualquer perturbação psíquica da criança. E uma boa mãe era aquela que combinava características interligadas de passividade, masoquismo e narcisismo, "mulher feminina como a interação harmoniosa das tendências narcísicas e a aptidão masoquista para suportar o sofrimento, que é compensada pelas alegrias da maternidade." Na segunda metade do século XX, com os raios luminosos do feminismo no horizonte desta boa-mãe-masoquista, ela é tentada a sair do lar, dos filhos (que são fontes de responsabilidade e culpa), especialmente a mulher com acesso à instrução, que não tem necessidade econômica do trabalho, pode se realizar pessoalmente com uma carreira profissional, que é muito mais interessante que cuidar de crianças, ou nas palavras de Badinter, "quando tem ambições (mundanas, intelectuais ou profissionais, como acontece hoje) e meios para realizá-las, uma mulher é infinitamente menos tentada do que outras a investir seu tempo e sua energia na criação de filhos". Badinter lança uma comparação entre as mulheres do século XVIII, que não tinham preocupações financeiras e gozavam de uma vida material confortável e se recusavam a cuidar pessoalmente de seus filhos, porque preferiam viver sob seus próprios interesses, acusando-as de insensíveis, egoístas, indiferentes, e as mulheres de classe média do século XX, que também não têm obrigação econômica de trabalhar fora de casa, e mesmo assim o fazem, por "realização pessoal", deixando a prole sob cuidados de terceiros, em creches. A autora argumenta que os dois séculos de "responsabilização" das mães modificaram as atitudes, e que as mães que colocam seus interesses acima dos interesses das crianças não são vistas mais como "patológicas", e "desnaturadas". Justamente isso, as mulheres do séc XVIII que deixavam seus filhos com amas mercenárias também não eram vistas como aberrações, ao contrário, estavam dentro da norma.
No primeiro momento, discordei muito da parte final do livro, me pareceu que a opção por não ter filhos não era considerada uma opção tão válida quanto a mulher se dedicar integralmente à prole, ou tecer arranjos com o parceiro e exercer uma profissão. Depois entendi que o ponto dela, a não existência do amor materno como algo instintivo; este amor não existe, o que existe é o amor pelos filhos construído pela convivência, e neste ponto, o amor paterno se equipara ao amor materno, e Badinter enxerga que é no comprometimento igualitário dos pais no cuidado com os filhos que reside a verdadeira emancipação feminina, quando a mulher se livrar dos encargos extras e dividi-los com o parceiro, ela poderá ter atuação profissional e política consistente.
Sempre tive muitas ressalvas quanto ao movimento feminista, mesmo considerando-o extremamente necessário, depois que entendi que o movimento é super fragmentado, e tive um contato superficial com algumas vertentes, concordando e discordando, minha maneira de pensar mudou bastante (tão bom ter a liberdade de mudar de idéia!). Atualmente penso que a verdadeira emancipação feminina não consiste nas mulheres fazerem tudo o que os homens fazem (e de salto, como elas gostam de exibir suas varizes e joanetes), e sim quando os homens fizerem tudo o que as mulheres fazem, com igualdade na responsabilidade, sem a desculpa de "estou só ajudando". E era isso que a Élisabeth Badinter falava na época em que era eu era um bebê...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

grandes enigmas da humanidade

Será que alguém que abre mão da própria vida e passa a viver a vida de outra pessoa pode ser feliz? Será que a vida da pessoa é tão miserável que é uma vantagem poder encerrar sua vida assim? Será que a pessoa, ao invés de ser controlada e dominada pela outra pessoa, na verdade ela é a manipuladora, aquela que no momento certo (do pré-abandono) vai cobrar com altos juros tudo o que fez pela pessoa, e consequentemente, deixou de fazer por si? Será que vale a pena descer tão baixo? Mistério...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

vira-latas

Rio 2016. Achei piada, todo aquele complexo de vira-lata da delegação brasileira em Copenhagen. O Lula que dizia que não descansaria enquanto todos os brasileiros não fizessem três refeições diárias, agora falou que foi o dia mais feliz da vida dele, ou a maior realização do seu governo, ou algo nesse sentido. O povo faminto que se dane, né não? Toda a galera que foi pra Dinamarca tentar fazer com o que o Rio sediasse os Jogos, me fez parecer aquelas famílias de classe média baixa, que têm um enorme complexo de pobreza, e para disfarçar que é pobre, tenta parecer que é rico, aí gasta o que não pode para fazer uma grande festa, lógico, as coisas não saem bem, e tudo o que conseguem é fazer um fiasco, porque não conseguem impressionar os ricos que eles tentam se aproximar. Ou por acaso alguém acha que as Olimpíadas não serão um fiasco de organização, empreendimento? Se até o Pan, que é todo xexelento, competição para muchachos y macaquitos foi aquela baixaria em superfaturamento, instalações abandonadas e outros abusos, imagino os jogos olímpicos. Mas todo esse ufanismo-rio-2016, me fez pensar: esporte profissional serve para o quê? Sempre achei que esporte é divertido para quem pratica, e para quem assiste é uma coisa totalmente sem sentido. Não vejo graça em ficar parada olhando um bando de gente sair correndo para ver quem chega primeiro, ou o povo ficar arremessando um disco para saber quem consegue jogar mais longe, e outras dezenas de exemplos. Uma boa parte dos atletas é patrocinado por dinheiro público, seriam praticamente servidores públicos, mas qual a utilidade deles? Claro, esporte é só mais um palco político onde cada nação expõe sua força e potência ao resto do mundo, cada atleta não está lá por si, ele representa a pátria. O Hitler foi bem esperto em sacar isso lá em 1936, e usamos o modelo dele, pois ver a cara de decepção dos chineses a cada medalha perdida na última olimpíada (ou os americanos sempre disparados no quadro de medalahas) não veio do nada. Esporte serve para reforçar o nacionalismo, e a xenofobia, claro, um não existe sem o outro. Mas acho que depois de tudo, do orçamento de US$14bi, Madri, Chicago e Tóquio, devem ter gritado em uníssono: Rio, se fodeu, antes você do que eu!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

trivialidades

Durante muito tempo foi um "sonho de consumo", mas via o preço, desanimava e pensava, o inverno já está acabando. Este é o segundo inverno na casa nova, mais perto do centro de SP, ou seja, mais sujeira, poluição e ar ruim. Não sabia como era fantástico viver perto de um umidificador de ar!! Sempre que entrava em alguma Drogasil, me posicionava estrategicamente perto do umidificador ligado na loja e fazia o possível para não sair de perto dele. Se não fosse pelo calor da noite passada, ter o ar úmido para dormir, teria sido a noite mais tranqüila dos dias secos de inverno...

Infelizmente acabou minha série de sessões de acupuntura, foram seis semanas muito boas. Confesso que era meio descrente, afinal, são apenas agulhas, como elas tirarão a dor? Cadê os remédios, componentes químicos, reações adversas? Mas desde que agulhas e algumas sementes na orelha curaram em minutos uma mega-enxaqueca de dois dias, passei a respeitar muito métodos "alternativos-para-ocidentais" de tratamento.

Depois de assistir todos os recém-chegados filmes do Futurama, a melhor frase que ficou foi do Professor Farnsworth, "o mal eu posso tolerar, mas a burrice... slapt!" na cara do filho bastardo. O mal junto com a burrice é patético. Aliás, a burrice é uma característica eterna e imutável. O pior é quando junta a maldade com a burrice, aí é muita desgraça para uma só pessoa, suas ações são patéticas (assim como sua persona) e não têm outro resultado senão a pessoa pagar mico e render algumas piadas internas. E gente assim me faz lembrar o William Blake, que tem uma frase ótima, e uso há tempos:
"Se os outros não fossem tolos, seríamos nós".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

em coma, em frente à TV

Discovery Home & Health é o canal da mulher histérica, com vários programas que acompanham as etapas da vida dessa mulher. Tudo começa com o casamento, no engraçadíssimo Bridezilla, em que o que vale mesmo é gritar e xingar todo mundo; sempre que assisto, penso se aquelas baixarias são só mise-en-scène, ou se os convidados não têm a menor dignidade. Como era de se esperar, esse casamento não podia dar certo, e assistimos logo em seguida "Recém-casados, Recém-brigados", o nome é auto-explicativo, e para aqueles que ainda insistiram em manter matrimônio com uma louca, tem outro programa com terapeuta tentando fazer milagre em uma semana. Claro, ela se reproduz, qual o melhor estratagema para manter um casamento falido? E aí temos o SOS Babá, para consertar o estrago. Lá no fim da linha, claro, nada deu certo, aquela noiva neurótica, recém-brigada não soube salvar seu casamento, não ouviu os conselhos da babá profissional, arruinou mais que pôde sua vida familiar, e quando o filho chega à adolescência é hora de chamar A Domadora, uma espécie de supernanny para aprendizes de deliqüentes oriundos de lares destroçados. Realmente, é o canal da qualidade de vida...