quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
feliz ano, véio!
Então o ano acabou, não é mesmo, minha gente? Pra variar o ano foi ótimo, não tenho um pingo de motivo para reclamar da vida. Sei que a vida sempre me deu mais do que eu preciso, e nem vou discutir o merecimento, porque coisas boas a gente aceita e agradece. No ano que vem espero que siga o mesmo ritmo, mas não gosto de fazer promessas, nem resoluções, nunca cumpri nenhuma delas, portanto, é inútil, e apesar de não parecer, não gosto de fazer coisas inúteis. Ao mesmo tempo, a cena pública de 2010 promete ser das mais desagradáveis, ano de copa do mundo e eleição presidencial, não precisa ser a mãe Dinah para prever que haverá muita baixaria, e sabendo disso, dá uma certa pena de dois mil e nove ter acabado...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
segura o tchan!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
películas, de novo!
Mais filmes! Bom, com a época de natal se aproximando e os shoppings se tornando literalmente intransitáveis, é provável que não vá mais ao cinema neste ano, talvez esteja lá em 01/01 para ver "Brasil, o Filho do Lula". Mentira. Desta vez assisti Julie & Julia. O filme conta duas histórias paralelas, de Julia Child que nos anos 40 chega a França, mostra o seu encantamento com a culinária francesa, seus primeiros passos como aluna da Le Cordon Bleu, numa época que culinária profissional era coisa de homem. A narrativa termina com a publicação do seu clássico livro Mastering The Art of French Cooking, antes acompanhamos rapidamente suas andanças pela Europa, por conta das freqüentes transferências do seu marido, funcionário do governo americano, e das tentativas de publicar o livro. Também conta a história da Julie Powell, no começo dessa década, que trabalhava como uma espécie de CVV pós-11/09, e decide executar todas as receitas do "Mastering" e contar tudo num blog, que funciona como uma válvula de escape para a banalidade do seu cotidiano-urbano-nova-iorquino, e claro, da frustração por não ter conseguido ser escritora (escritores frustrados é um clichê em Hollywood, talvez por que os roteristas também são?). Bom, a Julie me pareceu um tanto maluca ou o filme focou muito no lance dela ter a Julia Child como "amiga imaginária". Sei lá, achei esse detalhe bem estranho, sem contar que em todas as cenas seguintes àquela que ela ganha o colar de pérolas do seu paciente marido, ela não tira mais para nada, parece que o colar lhe conferiu "super poderes culinários". No mais é um filme divertido, que dependendo do gosto pelas panelas e da companhia, rende algumas piadas internas pela lembrança de certas situações.
Depois assisti 2012. Quando a moça que vende os ingressos falou que o filme tinha quase 3 horas de duração fiquei pensando se era um aviso, pois a sessão era depois das 22h, ou era um advertência de que o sofrimento seria longo. Meu principal comentário sobre o filme é esse: é longo, com uma hora a menos poderiam resolver tudo, do apocalipse, passando pelo dilúvio até o renascimento. É o tipo de filme para não ficar pensando muito nos furos da história porque nada faz o menor sentido. Só fiquei pensando que para os maias o mundo acabou há muito mais tempo, com o mundo em ordem os celulares mal funcionam, mas no fim do mundo você conseguirá falar com quem quiser, mão-de-obra chinesa não vale muita coisa porque um pedaço de fio é capaz de emperrar um motor, e a lista poderia ser interminável. Bom, eu não gosto desse tipo de filme pelo mesmo motivo que não gosto de shows de mágica e ilusionismo: não tem a menor graça, você já sabe que vai dar tudo certo, desde o início, não há suspense muito menos surpresa quanto ao desfecho. Todos os clichês catastróficos estavam presentes, só senti falta dos alienígenas e achei que o Godzilla apareceria na Califórnia. Para passar o tempo, fiquei cantarolando mentalmente, it's the end of the world as we know it and I feel fine...
Mas o melhor filme dos últimos dias (sem trocadilho) foi Persépolis, que vi em casa. Fiquei enrolando o ano passado para ver no cinema e acabei não vendo. É uma animação muito bacana, que conta a história de uma garota que vive no Irã, vem de uma família liberal e por causa desse liberalismo e das guerras que o país enfrenta, mudando sobretudo os costumes da população, principalmente das mulheres, é levada a viver um tempo na Áustria, longe da família, para não ser presa pelo regime, e lá só bate a cabeça, como qualquer adolescente. Depois volta para o Irã, dá mais umas cabeçadas e finalmente decide se exilar em Paris. É um filme bem ágil, tem um ritmo de tirinhas de jornal, com cada episódio contado rapidamente. Vale muito a pena ver.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
estrela
E este blog está se transformando num diário de (re)leituras. Agora foi a vez e A Hora da Estrela, li em duas sentadas, a primeira durante uma adorável combinação de chuva + trânsito lento, e a outra numa manhã de sábado com dor de cabeça e café. A história é sobre Macabéa, uma moça completamente desamparada, órfã desde a infância, criada por uma tia no nordeste sem nenhum tipo de carinho. Após a morte da tia, muda-se para o Rio de Janeiro, arranja emprego como datilógrafa. Por acaso encontra um namorado, Olímpico de Jesus que logo a troca pela sua colega de escritório. Macabéa tem uma vida miserável, vazia e seca, mas ela é quase feliz, porque quase não tem noção da sua própria existência, não conhece nada do mundo e não sente falta de nada. O principal traço de Macabéa é a ausência da falta, na nossa vida, por outro lado, é toda preenchida pela falta. A personagem é feliz com o nada que tem, porque não almeja ter ou ser coisa alguma. Mas a colega de Macabéa, aquela que lhe roubou o namorado, indica uma cartomante para ver se ela tem algum futuro. A cartomante lhe desenha um futuro lindo e promissor, com tudo o que uma moça deseja (marido e dinheiro, oras!). Maca finalmente conhece a sensação de sonhar com um futuro, mas o destino não era esse, e ela é atropelada na porta da casa da cartomante e morre. Fim. Não, não precisa de mais nada.
"Acho com alegria que ainda não chegou a hora de estrela de cinema de Macabéa morrer. Pelo menos ainda não consigo adivinhar se lhe acontece o homem louro e estrangeiro. Rezem por ela e que todos interrompam o que estão fazendo para soprar-lhe vida, pois Macabéa está por enquanto solta no acaso como a porta balançando ao vento no infinito. Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago."
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
zeitgeist
Dias atrás terminei de ler "Os Sofrimentos do Jovem Werther", faz exatos 9 anos quando li pela primeira vez. Tinha um amigo na faculdade que me influenciou o ler Goethe, o Luís, uma das pessoas mais inteligentes que conheci, além de nunca ter conhecido ninguém "tão século XVIII" como ele. No livro, o jovem sofre, e como sofre! Werther sai de sua cidade natal para entrar em contato com a natureza e conhece uma bela e encantadora moça, Lotte, fonte de sua felicidade e desgraça. O relacionamento deles é puro, como de almas gêmeas, mas Lotte está comprometida com outro rapaz, Albert, de quem é noiva. Durante um tempo Werther acredita que pode administrar a situação, estar com Lotte sem possui-la, respeita Albert em sua integridade, mas o peso do sentimento é demasiado para o jovem. Ele tenta se afastar, arranja um cargo na província, mas não se adapta, o que fica evidente na significativa cena em que W. é expulso de uma festa da nobreza devido a sua posição social inferior. Já sem esperanças e desesperado, W. volta para Lotte, mas é educadamente repelido por Albert, que acha que não pega bem a relação do jovem com sua mulher. Lotte é sempre fiel às suas convicções de que o matrimônio é sagrado, e somente nas últimas cenas sabemos que ela ama Werther, no entanto, ama mais as convenções sociais nas quais está presa. O jovem já está decidido que "a única conclusão é morrer" (como no verso do Pessoa), pois não há sentido viver num mundo onde ele não pode ser plenamente feliz ao lado da mulher que ele ama. E o faz, dá um tiro na cabeça com a arma de Albert.
O livro causou certo rebuliço entre os jovens na época, considerado o primeiro best seller da história, apesar do Goethe acreditar que suas histórias não foram escritas para as massas, e sim para aqueles que desejam ver um espelho em seus livros. Aliás, consta que este livro, escrito aos 24 anos, é autobiográfico, e o casal real cortou relações com o jovem Goethe devido ao excesso de referências. Enfim, é uma história de amor vivida até as últimas conseqüências, embora Lotte não fosse digna de tal arrebatamento, mas o amor é cego, pelo menos é o que dizem...
"Elas passaram pelas suas mãos, você limpou-lhes o pó, beijo-as mil vezes, você tocou nelas! E você, espírito do céu, favoreceu a minha resolução, e você, Lotte, passou-me as armas, você, de cujas mãos eu desejava receber a morte, e ah!, agora recebo. Oh, perguntei tudo ao meu criado. Você tremia quando lhe entregou as armas e não disse adeus! - Ai de mim! Ai de mim! Nem um adeus! - Teve de fechar-me o seu coração por causa do momento que me prendeu a você para toda a eternidade? Lotte, nem os séculos poderão apagar esta impressão! E sinto que você não pode odiar aquele que tanto arde por você."
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
reler é preciso
Havia esquecido a sensação de como era andar nas ruas de São Petersburgo, no século XIX. Tantos anos depois e tornei a visitar aquelas páginas. Reli Crime e Castigo, pela terceira vez. Reler um livro é a melhor forma de me reler, me conhecer e reconhecer, saber o que mudei desde a última leitura. A intensidade da leitura é a mesma das outras vezes, mas desta achei o livro mais impactante, mais intenso na forma crua como são descritas as misérias humanas. A história é conhecida, um rapaz do interior, que vive na capital para estudar, mas largou a universidade por questões financeiras, é acometido por uma "monomania", em que acredita que aos homens extraordinários é lícito cometer homicídio em prol de um bem maior para outras pessoas. Raskólnikov acredita que é um desses grandes, e por isso "experimenta" o homicídio, matando a machadadas uma velhinha usurária e avarenta, de quebra mata a irmã dela, porque apareceu na hora errada, e sem matá-la não conseguiria sair da cena do crime. Depois ele se dá conta que não é um homem extraordinário, que é um piolho e seu crime foi vulgar, entram em cena diversas personagens, todas marcadas pela miséria da condição humana, algumas virtuosas mas já sujas por toda a lama que as cerca. A mais importante das personagens é Sónia, uma moça dotada de um coração puro e dócil, que foi levada à prostituição por sua madrasta para sustentar a família, pois seu pai é alcoólatra. Ela será a redenção de R., é quem sugere que ele se entregue à polícia e pague pelo seu crime. Sua pena é passar oito anos na Sibéria cumprindo trabalhos forçados, e Sónia o acompanha, está sempre por perto e manda notícias à família de R., até que finalmente eles se "conectam", na frase mais bela do livro: "O amor os ressuscitara, o coração de um continha fontes infinitas de vida para o coração do outro". Ambos queriam viver, e os sete anos restantes devem ter passado rápido. É daqueles livros que quando chego na última página, tenho vontade de imediatamente voltar à primeira linha novamente, mas sei que sempre é necessário um tempo para digerir a história, antes de visitá-la mais uma vez.
"E por que o meu ato lhes parece tão vil? -- dizia de si para si. -- Por ter sido uma perversidade? O que quer dizer a palavra 'perversidade'? Minha consciência está tranqüila. É claro que foi cometido um crime comum; é claro que foi violada a letra da lei e derramado sangue, mas tome a minha cabeça por letra da lei... e basta! Claro, neste caso até muitos benfeitores da humanidade, que não herdaram mas tomaram o poder, deveriam ser executados ao darem seus primeiros passos. No entanto, aqueles homens agüentaram os seus passos e por isso estavam certos, mas eu não agüentei e, portanto, não tinha o direito de me permitir esse passo."
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
películas
Finalmente pude voltar a freqüentar cinemas, nos últimos meses nada me agradava. Comecei pelo sul-africano Distrito 9, um filme improvável, e certamente um dos roteiros mais originais dos últimos tempos (por falar em - falta de - originalidade, a maior prova disso é a enxurrada de adaptações literárias para estrear, sou meio conservadora nisso, acho que são duas linguagens que raramente se combinam). O tema é a invasão alienígena, mas ao contrário dos outros ET's malvados, estes são fracos, doentes e não têm líderes, não escolheram nenhuma cidade importante para pousar a nave. São levados a viver em acampamentos, que logo se transformam em favelas, são vítimas de todos os abusos e das gangues violentas. Os aliens são chamados pejorativamente de camarões, passam 20 anos acampados em Johansburgo, até que o órgão responsável decide envia-los para outro local, mais afastado da cidade, e aqui há uma metáfora direta sobre o apartheid. Boa parte do filme é filmada como se fosse The Office (sem a levada cômica, claro), naquele esquema de documentário "sem cortes", aliás, o crítico da Folha foi bem feliz na comparação, dizendo que Distrito 9 é uma mistura de Cidade de Deus, Alien e The Office, é bem por aí. No mais é um filme tenso, violento sem ser clichê, e todas as perguntas certas ficam sem resposta.
Aí tive vontade de ver "Coco Antes de Chanel", confesso que me senti influenciada pela crítica, dizendo que era fraco, uma tentativa de suavizar a imagem da Coco, pois o filme escondia muitos podres da vida dela, como a colaboração com os nazistas, então desisti de assistir. E por falar em nazistas, me rendi às massas e fui ver "Bastardos Inglórios". Péssima decisão. Já tinha lido muita coisa sobre o filme, desde a crítica especializada até de gente que não é especializada em nada, mas adora das pitaco em tudo (tipo, eu!). Bom, pra começar, nunca tive paciência com qualquer filme do Tarantino, não passava de dez minutos, sempre achava meio bobo, por que Bastardos seria diferente? Não sei, mas foi idéia minha ir ao cinema. Concordo que os filmes do Tarantino têm essa queda para o pastelão, mas a história desse era muito bobinha, infantil. Os nazistas são maus e bobalhões, os americanos são legais e resolveram a guerra, blábláblá. Acho que todo mundo já deveria ter amadurecido um pouco e ter dado um passo à frente da história oficial. Não, né? Eu sabia. Achei que o filme era uma mistura de Zorra Total com o extinto Cidade Alerta, o Brad Pitt é tão ruim que nem papel de canastrão ele consegue fazer direito, deveriam ter chamado o Dado Dolabella. Enfim, foram 2h30 muito longas, e de agora em diante tenho a total confirmação para passar longe de qualquer filme do Tarantino, porque, definitivamente, não faz meu tipo...
* Para não dizer que não gostei de absolutamente nada, adorei a música do Bowie (Cat People), que toca enquanto a mocinha se arruma para a grande noite.
Aí tive vontade de ver "Coco Antes de Chanel", confesso que me senti influenciada pela crítica, dizendo que era fraco, uma tentativa de suavizar a imagem da Coco, pois o filme escondia muitos podres da vida dela, como a colaboração com os nazistas, então desisti de assistir. E por falar em nazistas, me rendi às massas e fui ver "Bastardos Inglórios". Péssima decisão. Já tinha lido muita coisa sobre o filme, desde a crítica especializada até de gente que não é especializada em nada, mas adora das pitaco em tudo (tipo, eu!). Bom, pra começar, nunca tive paciência com qualquer filme do Tarantino, não passava de dez minutos, sempre achava meio bobo, por que Bastardos seria diferente? Não sei, mas foi idéia minha ir ao cinema. Concordo que os filmes do Tarantino têm essa queda para o pastelão, mas a história desse era muito bobinha, infantil. Os nazistas são maus e bobalhões, os americanos são legais e resolveram a guerra, blábláblá. Acho que todo mundo já deveria ter amadurecido um pouco e ter dado um passo à frente da história oficial. Não, né? Eu sabia. Achei que o filme era uma mistura de Zorra Total com o extinto Cidade Alerta, o Brad Pitt é tão ruim que nem papel de canastrão ele consegue fazer direito, deveriam ter chamado o Dado Dolabella. Enfim, foram 2h30 muito longas, e de agora em diante tenho a total confirmação para passar longe de qualquer filme do Tarantino, porque, definitivamente, não faz meu tipo...
* Para não dizer que não gostei de absolutamente nada, adorei a música do Bowie (Cat People), que toca enquanto a mocinha se arruma para a grande noite.
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